Região atendida pelo porto terá investimentos de US$ 200 bi
Da Reportagem
Diogo Caixote
As regiões atendidas pelo Porto de Santos deverão receber investimentos de US$ 200 bilhões (R$ 432 bilhões) nos próximos 30 anos. A expectativa é que estes recursos sejam aplicados em obras de infra-estrutura e de expansão da atividade portuária, além do desenvolvimento de plataformas logísticas de apoio ao cais santista.
Os recursos serão injetados na cadeia de escoamento do complexo portuário, que percorre os estados do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste e de parte do Norte. E virão tanto do setor público quanto da iniciativa privada, principalmente através das Parcerias Público-Privada (PPPs).
Estas projeções integram um estudo feito pela Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP), órgão privado e independente, com o objetivo de destacar possíveis ações para o crescimento do comércio exterior brasileiro e para a agregação de valor e aumento da competitividade dos produtos nacionais no mercado externo.
As principais obras que englobam a pesquisa foram detalhadas a A Tribuna pelo presidente da ADTP, Carlos Schad, após sua participação no painel Intermodalidade no Sistema Portuário, apresentado no XXI Encontro Nacional de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Eneph), realizado em Santos, entre as últimas quarta e sexta-feira. ‘‘Com esse levantamento, nós queremos mostrar que o Porto de Santos não é o grande problema, mas é a grande oportunidade. É a chance que o Brasil tem para crescer efetivamente’’, destacou.
Os US$ 200 bilhões serão investidos tanto em acessos à Baixada Santista como em obras nas regiões produtoras ou fabricantes de cargas movimentadas pelo porto, para facilitar a chegada das mercadorias.
‘‘A ADTP acredita que haverá injeção de capital no Grande ABC, nas demais regiões metropolitanas de São Paulo, no Interior e nos estados que precisam escoar pelo Porto de Santos. Esse levantamento considera projetos já anunciados e também aqueles em prospeção’’, disse Schad, sem revelar os empresários que planejam investir na cadeia de escoamento santista.
Entre os empreendimentos previstos para a Baixada Santista, o presidente da ADTP citou o Barnabé-Bagres (veja quadro), o projeto de expansão do porto, também denominado Porto Santos 21, previsto para ampliar a capacidade de movimentação do complexo em 60 milhões de toneladas; o terminal polivalente da Embraport, do Grupo Coimex, na Área Continental da Cidade; e melhorias viárias pontuais, como as avenidas perimetrais nas duas margens (Santos e Guarujá) do complexo.
Para Carlos Schad, o trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, que agilizará a chegada de caminhões à Baixada Santista para o escoamento de cargas, e o estacionamento de carretas do porto são as grandes obras previstas para capacitar o complexo a brigar de ‘‘igual para igual e com competitividade no mercado internacional’’.
Participação
Pelas contas da ADTP, com tais investimentos, o Porto de Santos poderá escoar cerca de US$ 3,5 trilhões do comércio exterior brasileiro. São 70 vezes o total que passou pelos seus terminais no ano passado, quando o cais movimentou mais de US$ 50 bilhões.
Para tanto, será necessário comprovar a eficiência do sistema portuário. ‘‘Temos que ter a percepção de qual é a demanda de um país como o nosso. Não é só saber como fazer e para onde mandar os produtos. Temos que identificar também a demanda que vai nos exigir de aparato tecnológico, assim como fez a União Européia’’, sugeriu ao lembrar que o ISPS Code (código internacional de segurança portuária) é um dos exemplos de entrada da tecnologia nos portos.O que é ADTP
A Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP) é uma organização privada, independente e sem fins lucrativos, fundada em 1991. Suas ações estão orientadas para identificar, criar e mapear oportunidades de negócios, mercados e regiões emergentes, bem como para assessorar a adequada inserção do empreendimento no que diz respeito à sua sustentabilidade. A ADTP é a primeira agência de networking de infra-estrutura do Brasil. Seu objetivo é criar ambientes empresariais orientados para atrair o interesse dos investidores para empreendimentos no País. A instituição é mantida por seus associados, em cujo quadro figuram cerca de 150 empresas do Brasil e do exterior, públicas e privadas.ADTP destaca potencial de plataformas
Em paralelo aos novos empreendimentos diretamente ligados ao principal porto do País, o presidente da Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná (ADTP), Carlos Schad, declarou que a ‘‘grande avanço no sistema portuário será o surgimento de plataformas logísticas’’ em zonas produtoras e industriais, principalmente em Goiás.
A idéia é que estes centros de armazenagem e distribuição de cargas garantam maior competitividade ao produtos brasileiro no exterior.
‘‘Essa concepção de plataformas será a base para a sustentabilidade das atividades portuárias. A gente entende que essas unidades vão dar fôlego às operações e, aí sim, surgirão as plataformas filhotes, mais próximas ao porto, o que beneficiará o custo logístico’’, disse o presidente da ADTP.
Segundo o executivo, essas plataformas vão facilitar o escoamento da produção ao reter a carga e só liberá-la para o terminal no momento certo para o embarque. Elas também poderão impulsionar a atividade industrial, ao abrigarem indústrias alfandegadas, unidades que podem receber importações (sem nacionalizá-las), beneficiá-las e então exportá-las.
Schad explicou que atualmente o custo logístico da movimentação de cargas ‘‘é dito, por muitos, como elevado dentro do porto, por causa dos problemas existentes. Mas não se fala do custo da cadeia, o que deixa esse custo muito maior. O que queremos é relacionar a modernização da cadeia com o porto para cair esse custo, que vai dar competitividade às cargas, em até 30 anos, porque o Brasil é competitivo na produção. Será a grande mudança portuária depois da Lei de Modernização dos Portos (8.630/93)’’, destacou.
A previsão é que as principais zonas logísticas de São Paulo sejam criadas no ABC, principalmente pela fuga de indústrias daquela região para outros estados, e no Interior. ‘‘Não há problemas rodoviários nas cidades do ABC, mas deverá haver novos acessos, dutovias e também entrar investimentos em distribuição’’, explicou.
As regiões metropolitanas de Campinas e Ribeirão Preto também deverão trabalhar como plataformas logísticas do porto e dar suporte à utilização do transporte hidroviário, afirmou o presidente da ADTP.
Schad disse que as cidades do ABC também deverão implantar portos secos (unidades armazenadoras de cargas enquanto não são liberadas para o embarque). ‘‘As mercadorias vão sair por Santos, mas não precisam ficar aqui’’, revelou o presidente da ADTP, em razão da proximidade ao cais, da disponibilidade de áreas e da transformação de um pólo industrial para prestador de serviços.
Capital
O Porto de Santos também se beneficiará com investimentos na Capital, revelou Schad. Ele disse que a ‘‘metrolização’’ da cidade, ou seja, o avanço no sistema de transporte metroviário, permitirá que os caminhões que trafegam em direção ao porto tenham mais espaço nas rodovias. ‘‘Em São Paulo, o sistema urbano é precário, o que leva muita gente a sair de carro. Só que a carga perde para esses carros de passeio. Os investimentos na abertura de novos metrôs vão acabar com essa briga’’. E brincou com a situação: ‘‘Hoje, a Avenida Bandeirantes (na Capital, uma das vias de acesso às estradas da Baixada Santista) é chamada de avenida portuária. Isso precisa ser organizado’’. Movimento chegará a 200 milhões de toneladas
Os investimentos na cadeia exportadora do Porto de Santos, nos próximos 30 anos, levarão o complexo a movimentar mais de 200 milhões de toneladas por ano, afirmou o presidente a Agência de Desenvolvimento do Tietê Paraná (ADTP), Carlos Schad. Segundo ele, para atender esse volume, o complexo santista deve ser ampliado, com a abertura de novos complexos e até a construção de um novo porto.
Schad revelou que o levantamento de investimentos no ‘‘circuito produção-escoamento do Porto de Santos’’, da ordem de US$ 200 bilhões, incluiu a construção de novas estruturas operacionais, que consolidarão os embarques da produção nacional ao exterior, pela região.
Os projetos referidos pelo presidente da ADTP são o Barnabé-Bagres, que deverá operar anualmente cerca de 60 milhões de toneladas, e a construção de um porto em Cubatão. ‘‘Com os empreendimentos em andamento e os que vão ser feitos, junto com 80 milhões de toneladas que Santos deve movimentar este ano, eu calculo que o porto passe, com facilidade e tranquilidade, de 200 milhões de toneladas, 220 milhões, se não for mais’’, previu.
Além da implantação de novos terminais na região, Schad destacou a reforma e modernização das atuais instalações portuárias. ‘‘Tem pontos no porto que estão condenados e não podem operar. Também tem terminais que podem implantar uma modernização maior. Essas mudanças, reformas de cais, de estrutura, fazem por si só um aumento maior na movimentação’’, argumentou.
O presidente da ADTP afirmou que a atividade portuária terá que se adaptar às tendência da Tecnologia da Informação (TI), segundo ele, um novo segmento que irá facilitar o controle das operações. ‘‘Deve caber aos empreendedores trabalhar a armazenagem com novos espaços, criar dutovias — porque com o advento do álcool é uma necessidade — e aeroportos, que não precisam ser somente de cargas’’, relacionou.
Já o setor público deverá garantir a ampliação dos acessos terrestres e marítimos, ou seja, resolver as questões viárias e investir na dragagem de aprofundamento e na realização permanente da dragagem de manutenção. ‘‘Vai ser um tema recorrente as condições para a implantação de novos modais. Eu incluo nessa relação a transposição da Serra do Mar, com esteiras’’, exemplificou, referindo-se ao projeto em desenvolvimento pela concessionária ferroviária MRS.
A relação porto-cidade também terá que ser analisada. ‘‘Sistemas urbanos adaptados à estrutura portuária terão o objetivo de facilitar a movimentação de cargas, sem um impactar com o outro’’, concluiu Schad.