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08/02/10 - [Meio Ambiente]

GDF Suez compra crédito de carbono no país


A GDF Suez, maior geradora privada de energia elétrica do Brasil, fechou a compra de R$ 23 milhões em créditos de carbono com a Cia. Energética Rio das Antas (Ceran). Trata-se da maior operação do gênero do grupo europeu na América Latina e sinaliza o início de investidas neste caminho no Brasil.

A aquisição envolve um total de 900 mil Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) de CO2 que serão gerados pela hidrelétrica 14 de Julho da Ceran, de 100 MW, localizada no Rio das Antas, no Rio Grande do Sul. Isto equivale às emissões de um ano de 300 mil carros populares, ou quase a metade da frota atual de Porto Alegre.

Trata-se de uma operação no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL, previsto no Protocolo de Kyoto. O MDL prevê que emissões produzidas em países industrializados, que têm obrigações de cortes, possam ser compensadas em países em desenvolvimento, sem este tipo de compromisso. A empresa está compensando emissões feitas em solo europeu. Em termos estratégicos, é uma sinalização do interesse em operações do gênero do grupo no Brasil. "São projetos de maturação lenta, mas vamos investir mais nisso", aponta Maurício Bahr, presidente da GDF Suez no Brasil.

Ele aposta que este é o caminho, mesmo com a falta de definições e avanços na conferência do clima de Copenhague, em dezembro de 2009. "Mais definições no que vai acontecer depois de 2012 influenciariam diretamente os investimentos em uma matriz mais limpa", diz o executivo. "Se tivéssemos mecanismos claros de estímulos, com certeza teríamos consequências positivas." Os preços do carbono caíram para € 11,50 depois de Copenhague. No início de dezembro a tonelada de carbono equivalente custava entre €12,50 e € 13.

Esta é a segunda operação do tipo da Ceran, empresa da CPFL -Geração de Energia S.A. No projeto da empresa, aprovado pela comissão ligada às Nações Unidas, justifica-se que as três usinas da companhia têm impacto ambiental baixo, com lagos pequenos, e emitem muito menos do que qualquer outra térmica que gerasse o mesmo volume de energia.

Na Europa, a GDF Suez é a segunda maior operadora de rede de transmissão e distribuição de gás. O Comércio Europeu de Emissões determina 30% nos cortes de emissão das empresas do setor elétrico entre 2008 e 2012, quando vigora o primeiro período do Protocolo de Kyoto. "O setor que tem a maior meta de redução é o de energia, nos outros, a meta é quase zero", diz Philipp Hauser, gerente de crédito de carbono da GDF Suez América Latina. Fabricantes de cimento, papel, celulose e metais europeus têm metas de corte muito menores. "A lógica é que se uma siderúrgica tiver que cumprir metas também, talvez não consiga ser competitiva com chineses ou brasileiros", explica Hauser. Além de evitar o impacto econômico, a regra procura impedir que empresas migrem para países com menos restrições. "Como a energia não pode ser importada, o ônus recai sobre o setor elétrico", diz.

Em 2008, as emissões diretas de gases-estufa do grupo GDF-Suez foram de 102 milhões de toneladas equivalentes de CO2.

No Brasil a GDF Suez controla a Tractebel Energia, a maior geradora privada de eletricidade com 7.500 MW instalados em 19 usinas hidrelétricas, térmicas, de biomassa e eólicas. Responde por 7% da produção de energia no Brasil.

"O grupo vê o Brasil como um bom potencial de geração de energia renovável e a possibilidade de melhorar nosso mix", diz Bahr. "No futuro devemos trabalhar o campo renovável com mais amplitude." A GDF-Suez têm planos de investir em usinas de biomassa e eólica, além de hidrelétricas como Estreito, no Maranhão.

O conglomerado de energia, que tem capacidade instalada de 60 mil MW, recebeu um golpe em sua imagem ambiental. A companhia participa da construção da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, e detém o controle da Energia Sustentável do Brasil que venceu o leilão de concessão. A GDF Suez ficou em segundo lugar no prêmio Public Eye Awards que elege companhias tidas por ambientalistas como problemáticas nos quesitos social e ambiental. A votação aconteceu em janeiro, pela internet. A empresa, em comunicado à imprensa, respondeu que 100% de suas hidrelétricas em operação no Brasil são certificadas e que está implementando os 32 programas socioeconômicos e físico-bióticos previstos no processo de licenciamento ambiental de Jirau.

(Fonte: Valor Econômico)
 
* Associado ADTP
As informações divulgadas neste espaço são baseadas em notícias publicadas na grande imprensa - Gazeta Mercantil, O Estado de São Paulo, Valor Econômico e Folha de São Paulo - e na internet Estadão, Gazeta Mercantil, UOL, Gazeta do Povo e Diário Catarinense.
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